Fim do segundo bissexto: por que o relógio do mundo vai mudar
Órgão internacional aprovou o fim dos segundos bissextos para evitar falhas em computadores e redes. Entenda o que é, por que muda e o que isso afeta.

Você provavelmente nunca percebeu, mas, de tempos em tempos, o relógio oficial do mundo ganhava um segundo a mais. Esse ajuste, chamado de segundo bissexto, vai ser aposentado. A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), organização internacional responsável pelas unidades de medida, aprovou o fim dessa prática, segundo o Tecnoblog. O motivo tem tudo a ver com tecnologia: o risco de pane em computadores, redes e aparelhos conectados.
O que é o segundo bissexto
Existem duas formas principais de medir o tempo no mundo:
- UTC (Tempo Universal Coordenado): é o horário de referência usado pelos relógios oficiais, celulares, computadores e servidores. Ele é marcado por relógios atômicos, extremamente precisos.
- UT1: é calculado a partir da rotação da Terra, ou seja, do tempo que o planeta leva para dar uma volta em torno de si mesmo.
O problema é que a Terra não gira sempre na mesma velocidade. Ao longo dos anos, pequenas variações fazem os dois relógios se afastarem. Para mantê-los próximos, desde a década de 1970 os responsáveis pelo horário mundial adicionam, de vez em quando, um segundo extra ao UTC. É como o dia 29 de fevereiro dos anos bissextos, só que em escala de segundos.
Por que isso virou um problema
Para um relógio de parede, um segundo a mais não faz diferença. Para os sistemas digitais, faz. Bancos, bolsas de valores, redes elétricas, servidores de internet e aparelhos de Internet das Coisas dependem de horários exatos para registrar operações, sincronizar dados e se comunicar entre si.
Segundo o Tecnoblog, nem todos os equipamentos lidam com o segundo extra do mesmo jeito. Alguns recebem poucas atualizações ou nem foram programados pensando nesse ajuste. Grandes empresas de tecnologia criaram métodos próprios para "diluir" o segundo extra ao longo de várias horas, mas essas soluções não seguem um padrão comum.
E havia um risco novo no horizonte. Nos últimos anos, a Terra passou por períodos de rotação mais rápida, o que levantou a possibilidade inédita de um segundo bissexto negativo, ou seja, tirar um segundo do relógio em vez de acrescentar. Isso nunca foi feito. A CGPM considerou esse cenário de alto risco para infraestruturas críticas e, segundo o The Register, citado pelo Tecnoblog, a preparação poderia exigir investimentos comparáveis aos do Bug do Milênio.
O que vem no lugar: o UTC Contínuo
Em vez de ajustes frequentes de um segundo, o novo modelo, chamado de UTC Contínuo, vai permitir que os dois relógios se afastem bem mais antes de qualquer correção. A tolerância passa a ser de até 3.600 segundos, o equivalente a uma hora, de acordo com o Tecnoblog.
Como a diferença entre a rotação da Terra e os relógios atômicos cresce muito devagar, essa margem deve levar muito tempo para ser atingida. Na prática, isso significa que correções no horário dos computadores vão ficar raríssimas. A previsão é que a implementação comece já no ano que vem.
O que muda para você
No dia a dia, absolutamente nada que você vá perceber. Seu celular, seu computador e o relógio da TV continuam mostrando a hora certa, sincronizados automaticamente pela internet ou pela operadora.
A mudança é importante nos bastidores:
- menos risco de falhas em sistemas bancários, de pagamento e de comunicação;
- menos trabalho para programadores, que não vão mais precisar preparar softwares para a inclusão ou remoção de um único segundo;
- mais previsibilidade para redes elétricas, satélites e serviços que dependem de sincronização precisa.
Curiosidade: o tempo da Terra não é perfeito
O caso é um bom lembrete de que até o "dia de 24 horas" é uma aproximação. A rotação do planeta é influenciada por fatores como marés, movimentos internos da Terra e até o derretimento de gelo nos polos. Durante séculos, ajustar o relógio humano ao ritmo da natureza foi uma questão de calendário. Agora, num mundo movido a computadores, a prioridade passou a ser não confundir as máquinas.
Com informações de Tecnoblog, com informações do The Register.


