Falhas no PHP tiram sites do ar no Brasil e no mundo: entenda o risco

Brechas graves no PHP, usado em cerca de 70% dos sites, fizeram Anatel e tribunais suspenderem sistemas. Veja o que aconteceu e como se proteger.

Por Redação Plugado News · · 4 min de leitura
Falhas no PHP tiram sites do ar no Brasil e no mundo: entenda o risco
Foto: zdw (CC BY-SA 2.0), via Flickr

Se você tentou acessar algum serviço público nesta semana e deu de cara com uma página fora do ar, pode não ter sido coincidência. Duas falhas de segurança consideradas gravíssimas no PHP, uma das tecnologias mais usadas para fazer sites funcionarem, levaram órgãos do governo, tribunais e empresas de vários países a desligar sistemas por precaução.

Segundo o g1, a Anatel e tribunais federais suspenderam o acesso externo ao SEI, sistema usado para tramitar processos administrativos, enquanto avaliam os riscos. O governo federal também emitiu um alerta para que os órgãos públicos atualizem seus servidores imediatamente.

O que é o PHP e por que isso é tão sério

O PHP é uma linguagem de programação criada para a web. Ele roda "nos bastidores", no servidor, e é o que monta as páginas que você vê quando entra em um blog, uma loja virtual ou um portal de serviços. Plataformas muito conhecidas, como o WordPress, a Wikipedia e o Moodle (usado por escolas e universidades), dependem dele.

De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, rankings públicos apontam que perto de 70% dos sites usam PHP. Por isso, uma brecha nele não afeta um site só, mas potencialmente milhões ao mesmo tempo.

O problema descoberto é do pior tipo: as falhas podem permitir que um invasor assuma o controle do servidor sem precisar de login nem senha. Na prática, quem explorasse a brecha poderia alterar páginas, roubar dados guardados no sistema ou usar a máquina para outros ataques.

A inteligência artificial ajudou a achar o problema

Um detalhe chama atenção nesse caso. Segundo o g1, as falhas foram encontradas em agosto, de forma independente, pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, dona do ChatGPT. Depois, a empresa Wiz informou ter usado modelos de IA para descobrir outras formas de explorar as mesmas brechas, que estariam escondidas no código havia mais de uma década.

É um sinal claro de como a IA está mudando a segurança digital: ela ajuda os "mocinhos" a encontrar falhas antigas, mas também pode acelerar o trabalho de criminosos.

Hackers agiram antes da correção

O Canaltech, citando reportagem da revista Wired, conta que a Amazon Web Services (AWS) detectou tentativas de explorar as falhas desde 17 de outubro, quatro dias antes de as correções serem liberadas. Depois que o problema se tornou público, o volume explodiu: a Cloudflare, empresa que protege boa parte dos sites do mundo, relatou milhões de tentativas de ataque em poucas horas.

Vale a ressalva feita pelas próprias empresas: tentativa não é invasão. Até agora, não houve confirmação de um número relevante de sites efetivamente invadidos, e especialistas ouvidos pelo g1 disseram não haver relatos de grandes impactos no Brasil.

O que muda para você, usuário comum

A boa notícia é que a correção já existe. A responsabilidade de aplicá-la é de quem administra os sites, não de quem os visita. Mesmo assim, momentos como este costumam ser aproveitados por golpistas. Alguns cuidados ajudam:

  • Desconfie de e-mails e mensagens dizendo que "seus dados vazaram" com links para "confirmar a conta". Em vez de clicar, entre no site digitando o endereço você mesmo.
  • Não reutilize senhas. Se um site pequeno for invadido, a mesma senha não deve abrir seu e-mail ou seu banco.
  • Ative a verificação em duas etapas nos serviços mais importantes, como e-mail, redes sociais e WhatsApp.
  • Fique atento a páginas estranhas em sites que você conhece, como anúncios fora do comum ou pedidos de download inesperados.

E se você tem um site

Se você mantém um blog, uma loja virtual ou o site da sua empresa, converse com quem cuida da hospedagem ou do desenvolvimento. A recomendação é atualizar o PHP para a versão corrigida o quanto antes. Segundo a AWS, citada pelo Canaltech, também vale revisar os registros do servidor desde 17 de outubro, porque atualizar fecha a porta, mas não desfaz uma eventual invasão que já tenha acontecido.

Para quem usa hospedagem compartilhada ou plataformas prontas, muitas vezes a atualização é feita pelo próprio provedor. Mesmo assim, vale confirmar com o suporte em vez de presumir que está tudo certo.

Por que o episódio importa

O caso mostra como a internet depende de peças de software gratuitas e mantidas por comunidades pequenas, que sustentam sistemas de governos e grandes empresas. Quando uma dessas peças falha, o efeito é global e imediato. E, com a inteligência artificial deixando mais rápido tanto o trabalho de achar quanto o de explorar falhas, a tendência é que alertas assim fiquem mais frequentes e exijam reação cada vez mais rápida.

Com informações de g1 e Canaltech.

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