Vídeos de IA que trocam pessoas viralizam; veja como são feitos e os riscos

Memes com famosos inseridos em vídeos populares usam a técnica Motion Swap. Entenda como funciona, quanto custa e como identificar um deepfake.

Por Redação Plugado News · · 3 min de leitura
Vídeos de IA que trocam pessoas viralizam; veja como são feitos e os riscos
Foto: ZapTheDingbat (CC BY 2.0), via Flickr

Se você abriu o Instagram ou o TikTok nas últimas semanas, provavelmente viu algum vídeo em que uma pessoa famosa aparece no lugar de outra, repetindo uma dança, uma comemoração de gol ou uma cena conhecida. A qualidade impressiona: parece gravado de verdade. Segundo o Canaltech, essa onda de memes usa uma técnica de inteligência artificial chamada Motion Swap.

Entender como esses vídeos são feitos ajuda a se divertir com eles, e também a não cair em armadilhas.

Como funciona o Motion Swap

O nome em inglês significa algo como "troca de movimento". De acordo com o Canaltech, a IA:

  1. identifica o personagem principal de um vídeo original;
  2. recebe a foto da pessoa que vai ser colocada no lugar;
  3. gera várias imagens estáticas dessa pessoa em diferentes posições;
  4. cria um novo vídeo em 3D, com o novo personagem repetindo exatamente os movimentos do original.

A mesma técnica pode trocar também o cenário ou as roupas de quem aparece na cena. Muitos aplicativos oferecem uma galeria de modelos prontos, então a pessoa não precisa nem escrever um pedido detalhado para a IA: basta escolher o vídeo e enviar a foto.

Quais ferramentas são usadas

Entre as plataformas mais populares para criar esse tipo de vídeo, o Canaltech cita a Ausar.ai, a Creathoon e a brasileira Real Oficial. Elas não dependem de um único modelo de IA: combinam sistemas de vídeo e imagem de várias empresas e escolhem o melhor para cada etapa.

É de graça?

Não. Segundo o Canaltech, as plataformas funcionam com créditos, obtidos em planos pagos. Gerar vídeos exige muito poder de computação, por isso os recursos ficam restritos a quem assina. Desconfie de sites que prometem fazer o mesmo de graça e pedem login com suas redes sociais ou dados do cartão "só para confirmar".

O lado perigoso: deepfakes

A mesma tecnologia que rende memes pode ser usada para criar deepfakes, vídeos falsos feitos para enganar ou constranger alguém. Alguns usos preocupantes:

  • golpes financeiros, com famosos "recomendando" investimentos ou produtos falsos;
  • golpes de falso parente, com vídeos ou chamadas imitando um familiar pedindo dinheiro;
  • montagens ofensivas para humilhar ou expor uma pessoa;
  • desinformação, com pessoas públicas aparecendo em situações que nunca aconteceram.

Por isso, mesmo quando a intenção é só brincar, vale ter cuidado ao criar e publicar esse tipo de conteúdo. Usar a imagem de alguém sem autorização pode trazer problemas, inclusive na Justiça.

Como identificar um vídeo feito com IA

Os vídeos estão cada vez mais realistas, mas alguns sinais ainda ajudam a desconfiar:

  • mãos e dedos estranhos, que se deformam ou mudam de número;
  • bordas do rosto borradas, principalmente em movimentos rápidos;
  • piscadas e expressões artificiais, ou um olhar fixo demais;
  • objetos que aparecem e somem no fundo da cena;
  • voz descolada da boca, fora de sincronia;
  • contexto improvável: uma celebridade fazendo algo totalmente fora do comum merece checagem.

Além disso, veja se o vídeo traz algum selo ou aviso de conteúdo gerado por IA. Redes como Instagram, TikTok e YouTube têm marcações para esse tipo de material.

Regra de ouro

Se o vídeo pede dinheiro, dados pessoais ou um clique urgente, pare. Confirme a informação por outro canal: ligue para a pessoa, procure o perfil oficial ou busque a notícia em sites confiáveis. A IA tornou fácil imitar rostos e vozes, mas ainda não consegue resistir a uma boa checagem.

Os memes com Motion Swap são divertidos e mostram o quanto a tecnologia evoluiu. O desafio é aproveitar a brincadeira sem esquecer que o mesmo truque está ao alcance de golpistas.

Com informações de Canaltech.

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