Hackers usam Claude e Grok para atacar 400 instituições financeiras

Grupo CyberCartel montou um exército de agentes de IA para mirar bancos e fintechs da América Latina. Veja como agiram e como se proteger.

Por Redação Plugado News · · 3 min de leitura
Hackers usam Claude e Grok para atacar 400 instituições financeiras
Foto: autor desconhecido (CC0), via Rawpixel

Um grupo de criminosos digitais usou ferramentas populares de inteligência artificial para automatizar ataques contra mais de 400 instituições financeiras da América Latina, entre bancos, empresas de pagamento e fintechs. A investigação foi divulgada nesta semana pela empresa de cibersegurança Straiker e noticiada pelo Canaltech.

Segundo o relatório, os hackers conseguiram roubar senhas, dados bancários e outras informações usando o Claude, da Anthropic, e o Grok, da xAI, além do Kimi, da chinesa Moonshot AI.

Quem está por trás

O esquema foi atribuído ao CyberCartel, grupo que atua desde pelo menos 2012 e já tinha histórico de ataques ao setor financeiro latino-americano. A novidade desta vez foi a escala: os criminosos criaram um sistema chamado CARLIY0S, que divide tarefas entre vários agentes de IA e permite atacar com pouca intervenção humana.

Segundo o Canaltech, o relatório não revela os nomes das instituições afetadas e não confirma que todas as 400 tiveram seus sistemas de fato invadidos. Também não há confirmação pública de bancos brasileiros entre as vítimas.

Como o ataque funcionava

O CyberCartel montou uma espécie de equipe de robôs, cada um com uma função:

  • o Claude, acessado por meio da ferramenta de programação Cursor, atuava como coordenador, recebendo ordens gerais e distribuindo tarefas;
  • quatro agentes baseados no Claude procuravam falhas, escreviam códigos para explorá-las e avaliavam estratégias;
  • cinco agentes ligados ao Grok faziam a coleta de informações, alimentando um banco de dados;
  • o Kimi também foi usado como apoio.

Com essa estrutura, os criminosos automatizaram desde a escolha das vítimas até a exploração das brechas e a coleta de dados. Segundo a Straiker, isso permitiu atingir mais de 400 alvos em poucos meses.

Como enganaram as IAs

Ferramentas como Claude e Grok têm travas para não ajudar em crimes. O problema é que os hackers mentiam sobre suas intenções. De acordo com a investigação, eles diziam aos modelos que estavam fazendo testes de segurança autorizados, pesquisas acadêmicas ou buscas por falhas para corrigi-las.

Com esse disfarce, as IAs chegaram a produzir códigos e instruções usados nos ataques. Quando um modelo recusava um pedido, o sistema simplesmente tentava outro ou recorria a códigos maliciosos já prontos.

O que foi encontrado

Em 24 de setembro, os pesquisadores conseguiram acessar uma cópia do banco de dados do grupo. Segundo o Canaltech, havia 4.493 registros, incluindo:

  • 2.911 endereços de e-mail;
  • 903 números de contas bancárias;
  • 391 chaves de API, usadas na comunicação entre sistemas;
  • 67 senhas guardadas sem nenhuma proteção;
  • 51 credenciais de acesso a portais.

A investigação também identificou mais de 200 vulnerabilidades, algumas ainda desconhecidas, e informações ligadas ao sistema de transferências bancárias do México.

Por que isso preocupa

O caso mostra uma mudança importante: a IA está baixando a barreira de entrada para o crime digital. Tarefas que antes exigiam uma equipe de especialistas agora podem ser feitas por poucas pessoas dando comandos simples a agentes automáticos. Isso significa ataques mais rápidos, mais numerosos e mais difíceis de acompanhar.

Como se proteger

Mesmo que o alvo tenham sido empresas, vazamentos desse tipo costumam respingar nos clientes. Algumas atitudes ajudam:

  • ative a verificação em duas etapas no app do banco, no e-mail e nas redes sociais;
  • não repita senhas entre serviços; um gerenciador de senhas ajuda;
  • desconfie de e-mails, SMS ou ligações em nome do banco pedindo dados ou códigos;
  • acompanhe o extrato e ative notificações de transações no app;
  • se suspeitar de algo, ligue para o banco pelo número oficial, nunca pelo que veio na mensagem.

A corrida entre quem ataca e quem defende ganhou um novo combustível com a IA. As empresas de tecnologia terão de reforçar as travas dos seus modelos, e os usuários, mais do que nunca, precisam fazer a sua parte.

Com informações de Canaltech.

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